quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

2012 o caralho!

– certeza? – perguntou risal.
o careca se sentou na janela da casa grande e só fez balançar o pé e chupar a manga.
– não acontece todo dia – disse o careca – mas aconteceu no dia. me envergonho de dizer que senti pânico.
– eu também sentiria se fosse você, mas não acha sua história um pouco estranha?
o careca desceu da janela e jogou a manga fora.
limpou-se com a barriga da camisa.
era nojento aos olhares de muita gente.
descalço, deu pouco caso ao chão quente.
devolveu um risor ainda mais aceso que o do incrédulo.
– é que sobrou pouca gente, aí tem pouca história pra contar.
saiu andando, e o incrédulo o acompanhou pela rua.
– não dá pra acreditar na sua história.
– então por que me segue?
o incrédulo parou e mirou o pensamento.
o careca parou também.
– todos no mundo sabem, lá no fundo, que a história é real, mas nem todo mundo tem tino pra saber.
– se for verdade – disse o incrédulo – você sabe que os próximos anos serão bem complicados – seu rosto parecia mais grave.
– você finalmente percebeu a verdade, apesar de achar seu medo meio despropositado.

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não sou poeta maldito, mas amaldiçoo todos os que lerem e não comentarem [risos] calma, podem comentar a vontade