sábado, 30 de julho de 2011

anima

vendi a alma em troca de aventuras:
fui clandestino nos navios, cobrei o comum,
impostor de rostos, comerciante de guerras,
e me perdi na multidão.

tenho a pálpebra espessa e os ovos melados,
minha barba roça no preço da minha alma
vendida ao diabo. barganhei o meu silêncio,
o silêncio do homem sem coração de homem,
o silêncio de quem não cabe em si. abandonei
o lar, matei a páscoa, assassinei o presidente.

vendi a alma em busca de homenagens,
vendi meus deuses, assassinei meus cristos,
queimei minhas cruzes nas merdas da ignorância.

basta dizer isso de mim mesmo,
que vendi a alma sem pechincha.

2 comentários:

  1. Excelentes os textos que li. Este, no entanto, agradou-me de modo especial. Grande Abraço.

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  2. obrigada weslley barbosa. gosto muito de escrever. você também é poeta? vamos montar um grupinho de poetas de internet?

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não sou poeta maldito, mas amaldiçoo todos os que lerem e não comentarem [risos] calma, podem comentar a vontade