sábado, 30 de julho de 2011

anima

vendi a alma em troca de aventuras:
fui clandestino nos navios, cobrei o comum,
impostor de rostos, comerciante de guerras,
e me perdi na multidão.

tenho a pálpebra espessa e os ovos melados,
minha barba roça no preço da minha alma
vendida ao diabo. barganhei o meu silêncio,
o silêncio do homem sem coração de homem,
o silêncio de quem não cabe em si. abandonei
o lar, matei a páscoa, assassinei o presidente.

vendi a alma em busca de homenagens,
vendi meus deuses, assassinei meus cristos,
queimei minhas cruzes nas merdas da ignorância.

basta dizer isso de mim mesmo,
que vendi a alma sem pechincha.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

clichês

no são joão da minha alma
morreram clichês despercebidos
enterrados nos maus poemas,
mesmo assim, os escrevi,
como o descoveiro
que profana cemitérios