terça-feira, 15 de novembro de 2011

fornicação

peço um repeat de te comer de repente
enquanto meu beijar é uma gozada velha na tua garganta
dos minutos que beijei teu deap throat
nas sombras dos dejetos
fumei de tua boca o cigarro
sorri de teus dentes teu sorriso
e no fim
você engoliu tudo entre seus lábios

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

nomes

um nome é uma sabedoria
dos extremos das esferas.

você bebe um nome,
chupa uma sílaba,
cospe um epigrama.

nos anagramas que ficam
você planta os nomes dos filhos.

domingo, 18 de setembro de 2011

subcão

um espantalho está no caminho dos corvos,
esperando que um deles desça
e seja amigo de verdade.

domingo, 28 de agosto de 2011

Zero 1

os tempos foram
transmitidos sem doutrina,
mortal,
sem luz nem rei.

o sol infernal do universo
morre no barco de Noé.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Arjuna e Krishna

um senhor maldito,
tolo e passivo,
que me expulsa
da vida bendita!

eis deus,
contraditório,
cheio e confuso,
sem mente,
e mente.

sábado, 30 de julho de 2011

anima

vendi a alma em troca de aventuras:
fui clandestino nos navios, cobrei o comum,
impostor de rostos, comerciante de guerras,
e me perdi na multidão.

tenho a pálpebra espessa e os ovos melados,
minha barba roça no preço da minha alma
vendida ao diabo. barganhei o meu silêncio,
o silêncio do homem sem coração de homem,
o silêncio de quem não cabe em si. abandonei
o lar, matei a páscoa, assassinei o presidente.

vendi a alma em busca de homenagens,
vendi meus deuses, assassinei meus cristos,
queimei minhas cruzes nas merdas da ignorância.

basta dizer isso de mim mesmo,
que vendi a alma sem pechincha.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

clichês

no são joão da minha alma
morreram clichês despercebidos
enterrados nos maus poemas,
mesmo assim, os escrevi,
como o descoveiro
que profana cemitérios

sexta-feira, 8 de abril de 2011

lua

meu amor morreu
nas bandas do rio de larvas
deus morreu no céu
das matas da bandidagem
a lua também morreu
quando pisamos sua margem

terça-feira, 15 de março de 2011

gaivota

vi na porta o raio do sol e uma velha gaivota caducando a luz do dia.

como vi? não importa. olhei de novo a velha gaivota ao lado da porta, cagando as penas.

passaram meses, e nem perguntem no que deu o pesadelo.

domingo, 13 de março de 2011

grampo

sou um grampo desmemorizado,
é uma pena,
li a página que vou pregar

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

cordeiro de zeus

cordeiro de zeus,
que finca a luxúria no mundo:
tende masoquismo de nós.

cordeiro de zeus,
que finca a lascívia no mundo:
dai-nos por trás.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

doença

ó rei, que eu saiba
não há causas para as doenças.

há longas vidas inconformadas
no lugar onde estamos.

tinta e impressão do que deveria ser
e é em outro lugar.

cidades, árvores, vozes, pessoas,
falta tudo à doença dos homens,
falta a chama da presença,
falta a esperança da morte.

outro lugar, uma cidade, sem presente ou passado,
cidades falsas, árvores amigas e amores,
doenças.

domingo, 30 de janeiro de 2011

rodolfo - in memoriam

meu querido rodolfo,
tudo passa.
a morte, nesse mundo é uma agrura,
se vem depois do cheiro a fungadura,
vem depois da lombra, a cachaça

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

cruz

topei com deus vendado na cruz,
olhos furados, guiando cegos,
e dizendo que usar pregos
era o chick da moda

sábado, 1 de janeiro de 2011

injúrias

invencível é o pecado humano e belo.
a jaula, a cerca, a perseguição,
a condenação dos outros nada podem contra ele.

ele instala nas mentes prazeres universais
e leva nossos olhos, nos faz destruir verdade e justiça,
e a laudar a mentira e a iniquidade.

ó, quem matou a liberdade?
quem a ergueu acima de si mesma?
quem trouxe o desespero ao mundo dos prazeres?
quem traiu a esperança?

mataram a liberdade do judeu e do nazista,
do pobre e do rico.

a liberdade é o ofício comum do mundo,
é dela que as balbúrdias nascem.

justas palavras claras atormentam os simples
que só querem o prazer.

nada é novo sob o sol,
todos queremos foder nossa cama,
destilar nosso fígado
e envenenar nossos pulmões.

por que não nos deixam envenenar nossos pulmões?

estátuas filosóficas exaltam o que o animal rejeitou,
buscam aquilo que não nasceu do homem,
mas de algum demônio maldito, ao qual chamam bem absoluto!

a natureza lamentou o nascimento do justo,
ela chora ainda a gênese dos fracos:
são os fortes que ela quer, são os aptos,
e os demais, que pereçam no inferno das virtudes!