domingo, 28 de novembro de 2010

iracema

alencar, meu querido
os verdes mares tem plástico,
e minha terra natal, onde canta o sabiá,
morreu entre as jandaias,
quando cortaram as carnaúbas.

ó, alencar,
ainda sinto falta dos verdes mares,
onde as jandaias cantarolavam!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

para minha cidade

é amarga minha pátria morta,
a capital da paraíba,

as graúnas que pousam nos galhos não cantam o sangue da bandeira,
sim, graúnas pretas e um sangue vermelho,
apenas gritam "nego", "nego".

há flores baixas que se inculcam por tulipas,
há estrelas que causam nojo aos pardais,
e a larva do campo rejeita seus grãos.

tua gente esquece quem por ti lutou
velam os mártires modernos, de água benta no sangue,
fazem lutos extensos e antigos,
e sua bandeira continua negando,
chorando mortos e canos de armas adúlteros.

minha terra perdeu a vergonha, não sofre mais,
não há mais luta, não á mais luto, não há mais choro,
mas a bandeira mantém seu choro, e permanece negando.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

fragmentos 17 e 18

vai te foder, parmênides!
que porra é isso de machos destros e fêmeas sinistras?

quando o homem e a mulher
cultuam vênus
o que importa está no centro
e não nos lados